Luís Vaz de Camões

16-01-2011 00:57

    Pouco se sabe sobre a vida de Camões. Ninguém tem muitas certezas sobre o sítio onde nasceu ou mesmo o ano certo do seu aniversário.

Pensa-se que nasceu ou em Lisboa ou em Coimbra entre 1524 e 1525. Não tinha muito dinheiro e por isso viveu com um tio em Coimbra, onde estudou humanidades: Português, Literatura e História. Foi um pequeno poeta na corte de Dom João III, usava os seus poemas, os seus olhares e as suas conversas para se meter com as meninas, e diz-se que nenhuma lhe escapava.

    Em 1549 partiu para Ceuta (África) em busca de aventura e juntou-se ao exército na luta contra os Mouros! De volta a Portugal, esteve preso durante um ano (1552) por estar sempre a arranjar confusões e a meter-se em lutas. Como não conseguia estar parado, no ano seguinte voltou ao serviço militar e embarcou para o Oriente em busca de mais lutas e aventuras. Esteve em várias expedições de busca e diz-se que em Macau foi provedor de defuntos e ausentes. Depois de ser demitido do cargo embarcou para Goa. Foi em Goa que se deu o tão conhecido naufrágio que matou toda a tripulação. Diz a lenda que nesse naufrágio morreu Dinamene, a companheira oriental do poeta, enquanto Camões se salvava a nado juntamente com os manuscritos de "Os Lusíadas". Viveu em Goa até 1557 e nesse ano partiu num navio de volta a Portugal. Fez uma escala em Moçambique onde viveu por alguns anos às custas dos favores de uns poucos amigos. Foi encontrado por Diogo do Couto, um admirador, e retornou a Lisboa por volta de 1569.
     Dois anos mais tarde publicou "Os Lusíadas", um livro que cantava os feitos dos portugueses, dedicado ao Rei D. Sebastião, que desapareceu em Alcácer Quibir. O poeta morreu a 10 de Junho de 1580, ano em que Portugal perde a sua autonomia política em favor da Espanha.Em carta a Dom Francisco de Almeida, o poeta refere esse momento: "...acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha pátria que não me contentei em morrer nela, mas com ela."

Texto adaptado

Se quizerem ou precisarem de mais informação, e mais detalhes podem consultar : www.astormentas.com/biografia.aspx?t=autor&id=Lu%C3%ADs%20de%20Cam%C3%B5es

"MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES..."

 

Alguns exemplos de poemas de que mais gosto :

 

 

Amor é um fogo que arde sem se ver

 

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

Senhora minha, se de pura inveja

Senhora minha, se de pura inveja
Amor me tolhe a vista delicada,
A cor, de rosa e neve semeada,
E dos olhos a luz que o Sol deseja,

Não me pode tolher que vos não veja
Nesta alma, que ele mesmo vos tem dada,
Onde vos terei sempre debuxada,
Por mais cruel inimigo que me seja.

Nela vos vejo, e vejo que não nasce
Em belo e fresco prado deleitoso
Senão flor que dá cheiro a toda a serra.

Os lírios tendes nu~a e noutra face.
Ditoso quem vos vir, mas mais ditoso
Quem os tiver, se há tanto bem na terra!

 


Eu cantarei de amor tão docemente

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

 

 

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