Sofrimento é Motivação
Amanhã é o dia. O dia em que vou mudar para sempre. Não sei se será tal e qual como escrevo, mas espero fazer uma grande mudança! Uma passagem de criança para “mulher”, alguém que se possa confiar, alguém que ajude os amigos, alguém que seja meigo, alguém que não seja “frio”, alguém que dê valor ao seu próprio eu. Já sofri, sofro, e sofrerei, cada vez que crescemos, cada vez que passam mais anos sofremos ainda mais, arriscámos, tentámos, experimentamos, há quem diga que a idade dos 2 aos 5 anos, se denomina “idade dos porquês”, talvez se déssemos o nome de “ Idade das experiências” à etapa da minha vida que vou iniciar, não seria de todo mal pensado. Não sei muito da vida, talvez seja este o grande começo de sofrimento, a aprendizagem de muitas lições de moral. “Sofrer” é uma palavra muito relativa, o verdadeiro significado de “sofrer” são os julgamentos, as torturas que são feitas a milhares de pessoas por lutarem pelos seus direitos, são as mortes, causadas por más condições de vida, são a falta de alimento, são a violência doméstica que hoje aumenta todos os dias, são a falta de amor e carinho, a falta de tratamentos que todos gostamos de ter, e que todos temos direito. Eu não sofro com a intensidade destas pessoas, felizmente, mas sofro! Choro como elas, grito de desorientação, de aflição como elas, não morro fisicamente como a maioria delas, mas morro psicologicamente.
Sofro porquê? Será porque não tenho auto-estima? Talvez, mas também pode ser por não me satisfazer, mais, para além de não me satisfazer que poderá ser uma hipótese, não satisfaço os outros que me rodeiam que será outra hipótese, ou a mesma com um grande recheio. Eu tenho auto-estima, eu sei descrever-me, sei exactamente os meus pontos fortes e os meus pontos fracos, sei dizer do que sou capaz e incapaz, se tenho força ou se não tenho, não sei bem o que auto-estima significa, mas tenho a certeza que a tenho.Sou criativa, gosto do saber e do não saber, gosto muito de discutir ideias. Nunca deixo a ideia que tinha e a troco por outra. É certo, que é ao ouvir que evoluímos a nossa capacidade mental, cultural, em todas as componentes, mas simplesmente só falo, quando sei do que falo, porque não gosto que alguém me corrija. Não devemos ter medo de falar, de expor os nossos ideais, no que realmente acreditamos. Se temos direito à liberdade de expressão devemos aproveitar não só por nós, mas também por quem não tem esse direito. Acho que não tenho muitas capacidades intelectuais, muitos jovens têm uma capacidade mental incrível, espero algum dia chegar aos seus níveis, vou lutar com todas a minhas forças para um dia poder alcançá-los, e finalmente dominar-me. As vezes vejo episódios de pessoas lutadoras, futuristas, grandes profissionais, que dão tudo por um sonho, e as vezes vejo outros episódios de pessoas que “vivem no Mundo por andar a ver os outros”, que não querem um futuro, não querem ser simplesmente ninguém na sociedade, mas chegam oportunidades para eles, e depois de todo osesforço que pessoas lutadoras fizeram para alcançar o sonho, são estes preguiçosos que ficam com oportunidades de uma vida. Nunca tive oportunidades, já lutei por as ter, mas acho “que quem nasce com a estrelinha, nasce com a estrelinha”. Apenas tenho motivação para escrever, não tenho motivação para falar, para rir, para estudar, para jogar, unicamente para nada. Sou sofredora e trago sofrimento. A felicidade dos outros não depende do meu contentamento, a tristeza dos outros não me agonia, sou fria, sou egoísta.
Amanha inicia um novo ano, estarei eu pronta? Estarei pronta para novas desilusões, riscos, tentações, desejos, sonhos? Acho que não. Mas duma coisa sei, espero que todos estejam prontos para acreditarem em mim, nas minhas capacidades.
Talvez tudo que eu tenha dito é uma “chachada”, talvez nem acredite em nada do que tenha escrito até agora, talvez precise de um médico ou de quatro chapadas na cara. Sinto-me fraca, insuficiente, invisível, sem utilidade, inocente, infantil, abafada, doente, com frio, sinto-me simplesmente acabada. Parte de mim acha-me ridícula, obsessiva, anormal, parte de mim grita-me alto que sou capaz, e que tenho de erguer a cabeça e calar-me com estas parvoíces, porque eu sou uma mulher. A outra parte de mim permanece com as mesmas palavras sem mais nada a acrescentar. Parte de mim ainda é criança, qual delas será ?
Amanha, espero que a mulher que há em mim suba à realidade e a criança seja engolida por essa forte mulher que nascerá. MUDA, CRESCE PORQUE A TUA VIDA ESTÁ A ANDAR PARA A FRENTE, APANHA-A, SUPERA-A, LUTA, REALIZA-TE, TU CONSEGUES!
ACREDITO EM TI (se nem tu acreditas em ti, quem há-de acreditar?)
31-12-2010 JS
